Eles Não Usam Black-Tie – Grianfrancesco Guarnieri

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Oi! É feriado mas aqui não tem folga – mentira, ia ter sim, mas eu ainda devo uma resenha no saldo dos dias enrolados de umas semanas atrás. Fiquemos então com uma resenha que é especial: anos atrás eu ia participar de um Desafio Literário, e… oh well, não deu muito certo… de qualquer modo, antes tarde do que nunca, e aqui estou eu com “Eles Não Usam Black-Tie”.

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Eles não usam black-tie situa-se numa favela, nos anos 50, e tem como tema a greve, e ao lado da greve a peça tem como pano de fundo um debate sobre as grandes verdades eternas, reflexões universais sobre a frágil condição humana, sobre os homens e seus conflitos. É a história de um choque entre pai e filho com posições ideológicas e morais completamente opostas e divergentes, o que, por sinal, dá a tônica dramática ao texto. O pai, Otávio, é operário de carreira, um sonhador, um idealista, leitor de autores socialistas e, ao mesmo tempo um revolucionário por convicção e consciente de suas lutas. Forte e corajoso entre os seus companheiros, experimentou várias lideranças, algumas prisões, com isso ganha destaque entre os seus transformando-se num dos cabeças do movimento grevista. O filho, Tião, em razão das prisões do pai grevista, é criado praticamente, na cidade, longe do morro, com os padrinhos, sem conviver com esse mundo de luta e reivindicação da classe operária. Hoje adulto e morando no morro com os pais, vive um dos maiores conflitos de sua vida. Em primeiro lugar não quer aderir à greve, pois acha que essa é uma luta inglória, sem maiores resultados para a classe. Em segundo lugar pretende se casar com Maria, moça simples, porém determinada e leal ao seu povo, e está esperando um filho seu. Desta forma, Tião está mais preocupado com o seu futuro do que com a luta de seus companheiros, que sonham com melhores salários, e é este conflito que faz girar a peça – e que pega o leitor em suas reflexões.”

Bom, como eu contei lá em cima – e se você abrir o link lá em cima poderá ver como funcionava -, esta peça era parte de um Desafio Literário; mas eu não a escolhi sem motivos: minha professora de Artes Cênicas no Ensino Médio falava bastante dessa peça e eu acabei por me interessar, mas minha escola, na época, não tinha uma biblioteca – eu sei, vergonhoso! -, então eu acabei adiando por anos o início da leitura. Este ano resolvi finalmente colocar essa leitura no lugar, e assim, finalmente, trouxe o livro para o blog.

A peça se revolve em torno do conflito do pai, Otávio, e do filho, Tião, que têm visões completamente diferentes sobre greves, o que faz com que a trama levante questões de moral muito interessantes. Me peguei dividida em certos momentos, porque costumo me colocar no lugar das personagens, quando leio, e por isso conseguia entender o conflito que se passava na cabeça de cada uma delas. É uma leitura rápida e muito boa, que faz a cabeça funcionar e que deixa todos pensando. Acho que as personagens bem construídas ajudaram muito, porque são muito humanas e razoáveis, e assim fez mais sentido o quanto o conflito sobre greve ou não greve as afetou. Gostei muito da história e de como ela foi conduzida e recomendo! Acho que todo mundo poderia aprender um pouco mais sobre espírito de equipe, sempre.

Espero que tenham gostado! Boa semana para todos nós e até a próxima!


Otelo, o Mouro de Veneza (The Tragedy of Othello, the Moor of Venice) – William Shakespeare

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Oi! É a primeira vez em semanas que eu tenho tempo de vir resenhar pela manhã! É que estou de semi-recesso, então pude acordar com calma, sem despertador, e até tomar café que eu mesma fiz, sem correr pra faculdade ou pro trabalho. Aliás, falando em faculdade, logo posso ter boas notícias, então estou bem feliz hoje! É um dia de bons augúrios! Mas, pra não azará-lo com minha alegria, escolhi uma peça de que gosto mas que é bem dramática pra ser a resenha de hoje! Fiquemos com “Otelo, o Mouro de Veneza”.

Desdemona and Othello, by Antonio Muñoz Degrain

Desdemona and Othello, by Antonio Muñoz Degrain

“O mouro Otelo, homem destemido e grande guerreiro, casado com a bela e jovem Desdêmona, torna-se governador de Chipre e nomeia o Tenente Cássio como seu auxiliar principal, provocando assim a inveja de Iago, homem cínico e invejoso, que almejava o cargo e que despreza o líder em segredo. Para se vingar, Iago usa a maior fraqueza de Otelo, o amor que tem pela esposa, e os ciúmes que tenta esconder, contra ele, envenenando-o com suas palavras e insinuando que a esposa e o Tenente o traem.”

A primeira vez que eu li Otelo eu era criança. Devia ter uns 11 anos e li uma versão adaptada para o público juvenil em um projeto de leitura da escola. Achei a história fascinante, mas acho que não entendia bem o motivo. Hoje eu consigo ver que estava apenas me identificando no pobre Otelo: também sou bem ciumenta, e conseguia entender o complexo de inferioridade que anda colado em quem tem ciúmes. É fácil taxar de doida a pessoa que se enciuma por “qualquer coisa”, mas a verdade é que é um sentimento complexo e terrível. Não à toa inspirou essa tragédia incrível, que eu reli anos depois, dessa vez em texto integral.

A narrativa segue a linha Shakespeareana tradicional: prosa e versos intercalados, falas que são verdadeira poesia e monólogos razoavelmente longos. A trama não é complexa em si, mas as personagens e as emoções ali representadas são, então a combinação é linda, difícil e sofrida. De chorar como Romeu e Julieta, já que aqui também as emoções enganam e levam ao desfecho trágico, além de representar um amor doído, sofrido e cheio de emoções. Recomendo demais!

Espero que tenham gostado! Bom resto de semana para todos nós e até a próxima!


O Rei da Vela – Oswald de Andrade

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Oi! Mais uma semana começando e eu, de novo, me questionando sobre o tempo. Preciso parar de fazer isso antes que enlouqueça! Escolhi um livro pra hoje que combina com o que ando estudando na faculdade – se eu li o livro de hoje na época do Ensino Médio em que estudei o Modernismo Brasileiro, hoje estudo o Modernismo Português como universitária em sua segunda graduação. O tempo – e a vida – são mesmo estranhos. É dia de “O Rei da Vela”.

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“O rei da vela tornou-se um marco no teatro brasileiro em 1967, com a montagem dirigida por José Celso Martinez Corrêa naquele mesmo ano. Escrita por Oswald de Andrade, em 1933, a peça é uma crítica à sociedade e à política de um Brasil que vivia a crise do café e as conseqüências do crack de 1929 da Bolsa de Nova York. Dividida em três atos, a peça tem como protagonistas Abelardo I, Abelardo II e Heloísa. Dono de uma empresa de usura, Abelardo & Abelardo, Abelardo I é um empresário que enriqueceu às custas dos fazendeiros desesperados com a crise do café. Enquanto o mundo amarga as consequências do crack da Bolsa, o empresário tem a “brilhante” solução de produzir e comercializar velas. “Num país medieval como o nosso, quem se atreve a passar os umbrais da eternidade sem uma vela na mão? Herdo um tostão de cada morto nacional”, afirma o personagem oportunista Abelardo I, explorando superstições nacionais. Já Abelardo II mata seu homônimo para assumir os negócios, inclusive a noiva Heloísa.”

Eu li este livro para o PAS, que é o vestibular “parcelado” da UnB, e lembro que, à época, não gostei tanto. Precisei de uma segunda leitura e um pouco mais de maturidade para entender a história, e acho que isso reforça minha teoria sobre leituras de clássicos – talvez eu deva falar um pouco sobre isso aqui, no futuro. A história de Abelardo e Heloísa – uma alegoria ao famoso casal – é apenas um pedaço dentro de uma trama complexa, com críticas à sociedade em diversas de suas facetas, além de ser uma crítica aos movimentos e estilos literários existentes até então, implantando a estética modernista pela qual lutaram os participantes da semana de 22.

A narrativa é fácil de entender, pelo menos superficialmente falando, mas acredito que para realmente entender todos os temas e símbolos do texto é necessário um pouquinho de entendimento histórico, ou pelo menos alguma pesquisa. As personagens carregam histórias e simbologias bem próprias, então eu recomendo essa atenção durante a leitura, para compreender o texto direitinho. No mais, posso dizer que é um texto interessante, inteligente e um tanto complexo, de que eu acabei por gostar. Recomendo!

Espero que tenham gostado! Boa semana para todos nós e até a próxima!


O Pagador de Promessas – Dias Gomes

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Oi! O friozinho só durou a segunda feira mesmo, e hoje Brasília tem sol. Não estou exatamente feliz com isso, então escolhi um livro pra combinar com meu humor oscilante. É dia de “O Pagados de Promessas”.

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“Zé-do-Burro é um homem simples que fez uma promessa para Santa Bárbara curar seu burro, Nicolau. Quando o burro fica bom, Zé tenta cumprir a promessa – levar uma enorme cruz até o altar da Igreja de Santa Bárbara no dia dos festejos para a santa. Ao chegar à igreja, Zé e sua mulher, Rosa, encontram-na de portas fechadas. A partir daí, os interesses locais se voltam para o pequeno caso, e cada segmento social da cidade quer tomar partido da situação da forma que puder.”

“O Pagador de Promessas” é uma peça, que já foi adaptada tanto para o cinema quanto para a TV, além de ter sido apresentada em teatros várias vezes. Eu a li para a escola, quando era bem novinha, e fiquei muito marcada pelo tom da narrativa, que me pareceu, à época, bastante triste. Zé-do-burro é um homem simples, que quer apenas cumprir uma promessa, tradição católica comum até hoje, mas é impedido por ser visto como um transgressor, perturbador da ordem. Ainda que eu fosse novinha quando li o livro, logo notei que o manifesto ali presente era não só retrato de uma situação real como algo que eu já tinha visto acontecer – e vejo até hoje. Quantas vezes não vemos pessoas se aproveitando da ignorância e desinformação das outras? Quantas vezes não julgamos antes de conhecer a história toda, ou nos recusamos a ver um lado que não seja o nosso? Juntas esses elementos é criar uma receita para o desastre, e essa história mostra isso muito bem.

As personagens são extremamente humanas, muito realistas e dá pra se identificar com a miríade de sentimentos que elas apresentam no curso da história. Como eu disse lá em cima, fiquei muito tocada com a história, e um dos motivos foi justamente porque as personagens são tão reais. Fiquei realmente muito mexida, e Zé-do-burro e sua esposa me deixaram desconcertada em muitos momentos. Não foi um livro fácil pra mim: me deixou muito emocionada, muito sensível, mas é muito bonito e cheio de mensagens e críticas sociais importantes. Recomendo bastante!

Espero que tenham gostado! Bom resto de semana para todos nós e até a próxima!


Cyrano de Bergerac (Cyrano de Bergerac) – Edmond Rostand

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Oi! Acordei meio triste, e aí escolhi falar de um livro muito bonito mas que segue os mesmos sentimentos que estão em mim hoje, e que me deixou bem pra baixo quando li. Uma coisa faz companhia pra outra, e hoje é dia de “Cyrano de Bergerac”.

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“Cyrano é um brilhante poeta e bravo espadachim que vive na França do século XVII. Dono de um enorme nariz, e achando-se feio e desprezível, teme declarar o seu amor a Roxana, sua bela prima. Esta, por sua vez, é apaixonada por um colega de Cyrano, o cadete Cristiano, que não tem qualquer talento para expressar seus sentimentos pela jovem. Sem esperança de conquistar a prima, Cyrano ajuda o cadete, redigindo suas declarações de amor.”

Eu não me lembro quando li este livro ou como ele veio parar nas minhas mãos. O que eu me lembro é que eu era novinha ainda, provavelmente pré-adolescente, e a história me deixou completamente devastada! Pouco depois eu li um livro meio-que-inspirado neste e que vai ser a resenha de sexta, mas que não me fez chorar tanto. De qualquer modo, essa peça do Rostand me deixou tão triste quanto me sinto hoje, por isso foi a escolhida.

A história em si é triste, mas a narrativa é boa e fluida. É uma peça de teatro, então não tem muitos volteios de um narrador para explorar os sentimentos de Cyrano e cia., o que permite ao leitor exercitar bem a imaginação e imaginar o que se passa na cabeça dele. Foi o único trabalho do Rostand que eu li até agora, mas gostei bastante!

As personagens são boas, e eu gostei muito de Cyrano, ainda que tenha morrido de raiva por ele se esconder da mulher que ama por causa de sua aparência: não deixa de ser o que todo ser humano faz, ao invés de enfrentar o medo e ir adiante! Não gostei de Cristiano nem um pouco, já que não gosto de gente que se aproveita dos outros para ganhar alguma coisa, ainda mais dessa forma tão descarada (passei a leitura inteira me perguntando o que aconteceria se ele se casasse com Roxanne e depois não fosse capaz de fazer os versos que a conquistaram). Roxanne pra mim foi meio neutra: não podia culpá-la por não saber sobre Cyrano, mas ao mesmo tempo eu a julguei um pouco por crer em um homem tão tolo quanto Cristiano. Acho que cada um de nós só se perdoa – se isso – as próprias fraquezas. Eu certamente não perdoo tão facilmente as das personagens… De qualquer modo é uma história excelente! Gostei muito da leitura, ainda que tenha ficado um tanto triste. Recomendo bastante!

Espero que tenham gostado! Bom resto de semana para todos nós e até a próxima!