Um Bonde Chamado Desejo (A Streetcar Named Desire) – Tennessee Williams

Olá! Hoje decidi sozinha o que resenhar, e acabei escolhendo uma peça que li no ano passado (e que me rendeu um milhão de piadas no meu antigo emprego) e de que gostei muito! Virou filme (que eu ainda não vi) estrelado pelo Marlon Brando e pela Vivien Leigh e foi representada no mundo todo, inclusive no Brasil. A história da vez é “Um Bonde Chamado Desejo”.

Bom, a peça conta a história de Blanche DuBois, uma professora de escola primária que vai viver por um período com a irmã mais nova, Stella, que é casada com o polonês Stanley Kowalski. Blanche e Stella vêm de uma família relativamente abastada, mas Stella deixou essa vida por uma mais simples – e sexualmente satisfatória – com o marido. Blanche e Stanley não se dão bem logo de cara, já que ela tem um ar arrogante e está sempre desprezando a vida simples do  casal, e ele é um homem rude que só quer o sossego para sua família e que odeia a família da esposa – chegando, inclusive, a acreditar que Blanche roubou a parte que seria de Stella na herança. Stella está grávida do marido e fica feliz em receber Blanche em sua casa, mas a tensão entre o marido e a irmã vai se tornando insustentável, e, a medida que Stanley vai descobrindo e revelando o passado de Blanche, minando o relacionamento que ela constrói com Mitch, amigo dele, e minando a sanidade dela, a vida da família vai entrando em colapso, e a mente frágil e perturbada de Blanche traz surpresas ao leitor.

Todo o eixo da história se sustenta na relação tempestuosa e tormentosa entre Blanche e sua própria mente e entre Blanche o cunhado. As brigas dos dois vão, lentamente, minando o que ela tem de saudável em si. Adoro peças e sua forma de escrita. Adoro as rubricas e marcações de cena, adoro as descrições de cenários e trejeitos de personagens, e para essa história, em especial, tudo se combina para formar uma obra cheia de nuances sombrias. Blanche é uma personagem riquíssima e interessante: atormentada por seu passado, pelo que faz e despreza ao mesmo tempo, cria histórias para si; essas histórias servem de máscara, e, com elas, Blanche esconde sua verdadeira personalidade do mundo. Stanley é o contraponto dela: no que ela é aérea, ele é terreno, no que ela é sentimento, emoção, ele é razão (ou o que ele pensa que é razão) e pés no chão. Não dá pra dizer que é uma personagem que eu tenha amado: ele é um homem rude, que a machuca física e psicologicamente, além de agredir a outros pelo simples fato de que pode fazê-lo, procurando perdão com um simples “estou arrependido”. Mesmo que eu não tenha gostado dele, no entanto, é a vontade dele de que a cunhada vá embora de sua casa que leva Blanche além do limite saudável e que impulsiona a história.

Geralmente eu falo primeiro da história e depois das personagens, mas em um livro como esse, onde as emoções e personalidades das personagens são tão marcantes, a análise da narrativa tem de vir depois. O que eu mais gostei na história foram os conflitos da família, que, para mim, mostram uma instituição frágil e passível de destruição (e no núcleo principal da peça, decadente), e a lenta degradação de Blanche. É até fácil se identificar com ela, que toma atitudes que repudia para tampar um buraco emocional que parece subsistir dentro dela, e me peguei pensando, em vários momentos da leitura, se não somos todos um pouco assim. A escrita é a tradicional de teatro, e as falas, que, nesse gênero, mostram como é a escrita do autor, foram muito bem boladas, encaixando-se no universo da história. Um livro que aperta o coração e dá nó no cérebro, foi assim que eu vi “Um Bonde Chamado Desejo”, e adorei! Muito mais que recomendado!

Espero que tenham gostado! Bom resto de semana, bom fim de semana e até a próxima!


3 thoughts on “Um Bonde Chamado Desejo (A Streetcar Named Desire) – Tennessee Williams

  1. Parece ser uma história interessante, mas não interessante pra mim por não fazer o meu estilo de leitura, já que é uma peça e é escrita de uma forma que nunca me chamou atenção.
    Beijos.

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