Um Certo Verão na Sicília (That Summer in Sicily) – Marlena de Blasi

Oi! É quase fim do recesso e ando reconhecendo um sentimento familiar: uma inquietação absurda, que me dá vontade de sair andando por aí, pra gastar energia. Como não posso, tento fazer planos para o fim do repouso forçado, e me lembrei desse livro, combinação de expectativa e realização – e de Itália e das minhas saudades sem fim. É dia de “Um Certo Verão na Sicília”.

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“No verão de 1995, a jornalista americana Marlena de Blasi estava casada há apenas nove meses com um veneziano, quando uma revista acadêmica encomendou um artigo sobre as regiões do interior da Sicília. No entanto as dificuldades começam logo: na Sicília, não se responde a entrevistas. O roteiro meticulosamente traçado foi marcado apenas por silêncios, portas fechadas e um épico calor. Em ‘Um Certo Verão na Sicília’, o casal descobre a misteriosa Villa Donnafugata, onde passam um mês aprendendo a história dos habitantes do vilarejo: lavradores locais que se tornaram solitários, viúvas, viúvos, que trabalham, cantam, rezam e brincam numa ensolarada paisagem de torres, sacadas, hortas, campos e colinas. Ao longo do livro, Marlena revela os hábitos encantadores dos moradores da Villa Donnafugata e os segredos de sua bela e misteriosa proprietária, a signora Tosca Brozzi, que vive no lugar há mais de trinta anos, desde que seu pai a trocou por um dos cavalos do príncipe Leo, quando ela tinha 9 anos. Sua raiva inicial deu lugar a carinho e, depois, amor pelo príncipe. Juntos, depois da Segunda Guerra, Tosca e o príncipe levaram educação, bem-estar e um novo conceito de propriedade ao vilarejo que dependia das terras do nobre. No entanto, Leo acaba sendo punido pela Máfia por afrontar a hierarquia secular que mantinha os ricos no conforto e os pobres na miséria.”

Já contei que minha família é de origem italiana; também já contei que a maior suspeita é que meu bisavô era Siciliano; já devo ter contado, também, que sou a única da minha família que aprendeu italiano; já ficou óbvio, tenho certeza, meu amor profundo pelo bel paese, de que sinto saudades todos os dias, sem falta. Este livro foi mais um dos que eu encontrei e que tentei usar para matar minhas saudades, mas, como acontece quando leio sobre uma região que não visitei, só fez aumentar minha curiosidade e minha vontade de sair correndo, voando, até nadando, pra lá.

Nunca tinha lido nada da Marlena de Blasi, mas sabia que ela escrevia muito sobre a Itália. Comecei por esse livro porque foi o que me caiu nas mãos, e acabei por gostar da narrativa dela. De forma lenta (bem lenta, algo que com certeza vai incomodar muita gente) ela vai construindo o pano de fundo para a história de Tosca, que é, na realidade, a parte principal do livro. Como não me incomodo com descrições grandes, narrativas lentas e histórias prolixas – com o tanto que elas realmente combinem com o que se quer contar -, achei que a junção desses elementos criou uma obra muito bonita. Gostei muito de ler a história de Tosca e de seu amor pelo príncipe Leo.

Aliás, Tosca é uma boa personagem! Muito lúcida, capaz de ver o lado das outras pessoas, mesmo as que a magoam, e de entender o que acontece a sua volta, com perspicácia e compreensão. Leo acaba por virar coadjuvante dela, assim como tudo que acontece em volta da vila parece ser pano de fundo para aquela mulher tão altiva e dona de si, que domina a cena. Achei que essa protagonista combinou muito com o tom da história, e a combinação de personagens, narrativa e enredo criaram um bom livro, cheio de pequenos acontecimentos doces e um retrato muito lindo da Sicília – ainda que eu não possa atestar se é muito verossímil.

No todo, é um livro realmente bom, mas não é nada que vá mudar drasticamente a vida de ninguém. Recomendo para quem gosta de romances, para quem tem paciência para longas narrativas e para quem ama a Itália. Não vão se arrepender!

Espero que tenham gostado! Bom resto de semana para todos nós e até a próxima!


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