Uma noite de domingo

São onze da noite de domingo. Venta fresco em Brasília, um alívio depois dos dias de muita seca que tivemos. As roupas que lavei ontem ainda estão penduradas nas grades da varanda, tem uma série pausada na TV, luzes acesas pela casa. Enquanto escrevo na sala, escuto meu marido conversando no quarto. Nosso bebê de quase um mês – meu Deus, como passa depressa! – parece respondê-lo. Não está disposto a fechar os olhos e descansar, ainda que esteja com sono. Somos pais de primeira viagem e fazê-lo dormir ainda é um aprendizado diário. Interrompo o texto e deito com ele no escuro. Dou de mamar – perdi as contas de qual vez é essa -, fico com ele até que adormeça. Mal venho para a sala e o choro recomeça. Na aprendizagem diária que é ser mãe, percebo que precisamos colocá-lo mais cedo pra dormir. Tudo bem, amanhã começaremos isso.

Percebo que a rotina da noite ainda é meio caótica porque ter um bebê em casa é uma novidade. Claro, passamos nove meses nos preparando, mas a vinda dele quatro semanas antes do previsto me roubou um precioso tempo de pesquisa sobre o que fazer, de fato, quando ele chegasse: como dar banho, como usar o carrinho e o bebê conforto da melhor forma, como amarrar o sling corretamente, como fazê-lo dormir. Vamos aprendendo aos trancos e barrancos, mas está funcionando. Temos a sorte de ter um bebê calmo e generoso, que tem até bastante paciência com os pais inexperientes que o amam e criam. Sorrio ao escutar a musiquinha de ninar que meu marido colocou pra ele no aplicativo (é a versão para bebês de “Um Mundo Ideal”, do Alladin, e meu marido canta junto com a melodia), ao escutar os dois interagindo no quarto, no processo que é colocar um bebê cansado e agoniado pra dormir. Tenho mesmo muita sorte!

Em janeiro, quando fiz a última postagem aqui, disse que voltaria quando desse. Pois é, desde então, não tinha dado. Descobri que estava grávida e minha vida virou de cabeça pra baixo. Mudanças (de casa, de vida, de tanta coisa), enjoos, barriga crescendo, inseguranças, medos. Tanta coisa aconteceu desde o início do ano, eu me senti tão confusa e perdida por tanto tempo, que não dava pra vir aqui e falar de livros. Quase não ando lendo. Não tenho tido tempo nem ânimo, no meio de tantas outras novidades, pra abrir um livro novo e esquecer da vida. Há muito para fazer. Me peguei me perguntando sobre o papel do blog na minha vida, e percebi que precisava fazer uma mudança que ensaio há pelo menos três anos. É hora de abraçar mais coisas, e não reduzir minha vida aos meus livros. Claro, eles são grande parte da minha personalidade e da minha história. Não deixarão de ser. Mas minha vida os ultrapassa e é hora de tornar o Mundo um mini Mundo de verdade. Esse texto é o primeiro (oficialmente) a mostrar outros lados da minha vida.

A música no quarto mudou. Agora o marido toca Raça Negra pro bebê (detesto pagode, mas tem uma música desse grupo que o acalma, e é ela que soa no quarto no momento) e estou rindo de novo. Que vida estranha, essa minha. Como pude duvidar, em algum momento, que ela seria imprevisível? Ela é. E é bem fantástica também. É hora de terminar esse texto, o primeiro de tantos outros. Espero que gostem desse novo lado do Mundo, um que eu escondi por mais tempo do que devia, talvez. Vou ali deitar com o marido e o bebê, na esperança que ele finalmente durma – já é um dos raps estranhos do marido que toca agora, então duvido um pouco do sucesso da empreitada. Bem vindos ao novo Mundo. Sintam-se em casa e espero que gostem daqui!


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