V de Vingança (V for Vendetta) – Alan Moore & David Lloyd

Oi! Essa semana voltei pras aulas de italiano (finalmente! Já estava enlouquecendo sem estudar!) então meus horários ainda estão confusos, por isso só teremos duas resenhas. A primeira é um dos últimos livros que eu li no ano passado, e que na verdade é uma reunião das Graphic Novels do personagem “V”, chamadas de “V de Vingança”, escritas pelo Alan Moore e desenhadas pelo David Lloyd.

“V de Vingança” é sobre uma Inglaterra que passou por guerras e problemas tão sérios, que seus cidadãos aceitaram um governo completamente totalitário e dominador. Cada passo de cada cidadão é vigiado, os homossexuais, doentes e todos mais que não se encaixavam em um modelo de mundo supostamente perfeito foram eliminados, e o país se tornou um lugar estéril, sem arte, sem música, consumindo e vivendo apenas aquilo que seu governo permite que viva, conheça ou prove. Até que um personagem aparece, destruíndo o parlamento para homenagear Guy Fawkes e suas ideias, usando uma máscara que representa o rosto do próprio Fawkes e que esconde seu verdadeiro eu, protegendo sua identidade para iniciar uma revolução anarquista que libertará o povo Inglês da dominação em que vive. Esse é “V”, e sua revolução é uma tentativa interessante de ilustrar o ditado “Um povo não deve temer seus governantes. Os governantes é que devem temer seu povo.”.

Vamos por partes. Pra começar, eu não sou uma especialista em quadrinhos/graphic novels. Pra ser franca, nem sei muito bem como classificar esse livro, pelo menos em se tratando desses gêneros. Isso posto, devo dizer que a história é muito interessante. As ideias de V sobre como mudar e salvar a Inglaterra (que, convenhamos, poderia ser qualquer país que se permita cair na apatia já mencionada) são boas, apesar de relativamente ingênuas na minha opinião (não acho que sejamos seres evoluidos o suficiente pra vivermos em anarquia, pelo menos por mais um tempo). Os desenhos são muito bem feitos, e o clima sombrio vem não só das cores escolhidas, mas do tema, da linguagem e das situações apresentadas. Me impressionou bastante!

As personagens são um caso à parte: é um pouco chocante ver as pessoas como cordeirinhos sem os disfarces que os autores geralmente colocam nesse tipo de situação, e é especialmente revoltante ver no que as pessoas podem se tornar dependendo do que vivem. Amo um submundo, amo ficar vendo o que tem na mente humana, mas nunca tinha visto a sujeira pelo ângulo político – falha minha. V e Evey formam uma dupla que representa bem o criador da história e seus leitores: ele é um mentor, ela está aprendendo, ou pelo menos conhecendo novos conceitos, diferentes do mundo em que viveu desde criança, assim como nós podemos ver as coisas de uma forma diferente depois da leitura desse livro (se nos abrirmos pra esse tipo de pensamento e reflexão, lógico).

“V de Vingança” não deve ser lido e posto de lado. Só pegue pra ler se você realmente quiser pensar sobre o assunto, sobre o que seus autores propõe e sobre o que você pode fazer para ajudar o lugar que você vive a não se tornar apático como a Inglaterra de V, caso contrário sua leitura ainda não alcançou o objetivo, pelo menos na minha opinião.

Espero que tenham gostado! Até a próxima =)


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